Um porto instável, um pouso possível : Mariannita Luzzati
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Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela110 x 170 cm -
Mariannita LuzzatiSem título, 2026Óleo sobre tela150 x 261 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela30 x 60 cm (díptico) -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela30 x 80 cm (díptico)
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Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela30 x 40 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela30 x 40 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela30 x 40 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela24 x 30 cm
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Mariannita LuzzatiSem título, 2024Óleo sobre tela40 x 50 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela40 x 50 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela30 x 30 cmReserved -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela20 x 20 cm
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Mariannita LuzzatiSem título, 2023Óleo sobre tela152 x 150 cm -
Mariannita LuzzatiSem título, 2023Óleo sobre tela155 x 145 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloÓleo sobre tela124 x 150 cm -
Mariannita LuzzatiSem títuloLápis de cor e grafite sobre papel21 x 21 cm (sem moldura)
22 x 22 cm (com moldura)
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Mariannita LuzzatiSem títuloLápis de cor e grafite sobre papel21 x 21 cm (sem moldura)
22 x 22 cm (com moldura)
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Mariannita LuzzatiSem títuloLápis de cor e grafite sobre papel21 x 21 cm (sem moldura)
22 x 22 cm (com moldura)
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Mariannita LuzzatiSem títuloLápis de cor e grafite sobre papel20 x 30 cm (sem moldura)
22 x 31 cm (com moldura)
Mariannita Luzzati: Um porto instável, um pouso possível
A Albuquerque Contemporânea apresenta "Um porto instável, um pouso possível", exposição individual da artista Mariannita Luzzati, que reúne pinturas e desenhos inéditos com curadoria de Luiz Armando Bagolin.
Há mais de três décadas, Mariannita Luzzati constrói uma pesquisa pictórica dedicada à paisagem, explorando as relações entre atmosfera, memória, distância e percepção. Em suas obras, cenas originalmente observadas em deslocamentos ou registradas por meio da fotografia são submetidas a sucessivas camadas de cor que dissolvem seus referentes e transformam a paisagem em um espaço ambíguo, situado entre o reconhecível e o imaginado. Céus, montanhas, árvores e horizontes emergem e desaparecem em campos de verdes, azuis e outras tonalidades rebaixadas, como se fossem lembranças em processo de formação e apagamento.
Na produção mais recente, esse universo atmosférico passa a conviver com elementos de presença mais incisiva. Pássaros, árvores e pequenos arbustos aparecem como figuras nitidamente recortadas contra fundos enevoados, recusando a perspectiva atmosférica que tradicionalmente integra os elementos da paisagem por meio da distância e da variação de luz e cor. Em vez de se dissolverem no espaço pictórico, essas formas permanecem suspensas, quase como inscrições sobre a superfície da pintura.
É nessa tensão entre nitidez e embaçamento que se estrutura a nova produção de Luzzati. Galhos secos, plantas, pássaros ou manchas de cor assumem a função de pontos de ancoragem para o olhar, mas nenhum deles oferece um repouso definitivo. A paisagem torna-se, assim, um campo de disputa entre aquilo que se fixa e aquilo que se desfaz, um espaço em que ver significa continuamente procurar onde pousar.
Ao reunir trabalhos inéditos e obras de diferentes momentos da produção de Luzzati, a exposição evidencia uma passagem importante em sua pesquisa: a névoa, antes predominante, revela-se não como destino, mas como escolha pictórica. Em contraste com a nitidez das obras recentes, as pinturas anteriores podem ser revisitadas sob uma nova perspectiva, revelando a complexidade de uma linguagem construída entre presença e desaparecimento.
Para Luiz Armando Bagolin, esse movimento também reafirma uma posição diante da própria pintura. Ao longo de sua trajetória, Mariannita Luzzati desenvolveu uma linguagem que não depende de uma narrativa externa para se sustentar. O foco e o desfoco, a saturação e a rarefação, a presença e a ausência constituem problemas formulados nos próprios termos da pintura. A névoa não é apenas representação de memória ou sonho, mas matéria e procedimento; o desfoque não é um acidente, mas uma construção paciente, realizada por meio de sucessivas veladuras.