Exposição Institucional: 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba

Froiid

Froiid participa da 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba com a instalação "O Pombo que Escapa ao Morcego". O trabalho integra a edição LIMIARES, com curadoria de Adriana Almada e Tereza de Arruda, uma proposta que pensa os espaços de passagem, as zonas de incerteza e as transformações que atravessam nosso tempo. A Bienal ocupa diversos espaços de Curitiba e do Paraná entre 14 de junho e 15 de novembro de 2026, reunindo artistas de diferentes contextos e pesquisas.

 

SOBRE A OBRA

"O pombo que escapa ao morcego" toma o Mineirão como estrutura física, sonora e simbólica. A partir da vibração produzida pelos cantos das torcidas organizadas, o trabalho desloca o estádio da condição de arquitetura estável para a de corpo em movimento. Construído em módulos de concreto armado, o Mineirão carrega em sua própria engenharia a capacidade de responder à presença coletiva: quanto maior a intensidade da torcida, maior sua oscilação. Interessa ao artista justamente esse instante em que a massa altera o espaço, fazendo da arquitetura um acontecimento.

A instalação opera por meio de motores elétricos acionados por um software desenvolvido a partir de mais de cinquenta horas de gravações de cantos de torcida. O som ativa a estrutura e produz um movimento contínuo, acompanhado por sinos distribuídos ao longo da peça. Esses elementos sonoros aproximam temporalidades distintas: o estádio, o rito popular, a ocupação coletiva e a memória colonial brasileira, na qual o sino organizava ritmos sociais, religiosos e de trabalho.

O título do trabalho deriva do samba Morro do Sossego, de Arthur Poener e Candeia, censurado durante a ditadura militar por sua associação à vadiagem e à luta de classes. Deslocada da música original, a frase permanece como vestígio e tensão. Entre fuga e permanência, ela atravessa o trabalho como imagem de uma força coletiva que escapa às formas de controle.

A pesquisa de Froiid parte do jogo como estrutura social e linguagem. Em seus trabalhos, regras, disputas e sistemas são reorganizados como dispositivos capazes de revelar dinâmicas de poder, pertencimento e invenção popular. Em "O pombo que escapa ao morcego", o estádio aparece como lugar onde essas forças se condensam: espaço de vibração, conflito, festa e reorganização contínua da experiência coletiva.

Junho 14, 2026