Impactado com a enchente do ano passado, o artista propôs abordar o evento climático na exposição de inauguração e visitou a Região Metropolitana de Porto Alegre nas semanas seguintes à cheia do Guaíba. “O impacto que tive com o que vi nesse momento foi profundo, epidérmico”, afirma Nuno.
Três réplicas em tamanho real das casas em que Ramos viveu ao longo de sua vida emergem como fantasmas de um passado que, embora familiar, está sendo devorado pelo tempo e pelos elementos. Cada casa, meticulosamente recriada, é submersa em uma piscina de lama, situada no interior da galeria. Essas piscinas, que diferem em cor – uma branca, outra preta e uma terceira marrom – evocam as camadas complexas de significado e simbolismo presentes na obra.
A escolha das cores e texturas das lamas não é aleatória: representam não apenas as variações na matéria, mas também as diferentes fases da vida e as emoções contrastantes que a acompanham. As casas, afundadas nesse ambiente, parecem lutar contra a aniquilação, simbolizando a persistência da memória e a inevitável transformação imposta pelo tempo e pela natureza.